Quando era mais novo, conheci Moçambique pela minha família que lá viveu e amizades que levaram e trouxeram de lá.
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Contavam-me histórias de vivências numa terra que, em comparação com Portugal da altura, era mais avançado, oferecia muito melhor qualidade de vida, enriquecimento para quem se esforçava verdadeiramente, e oportunidades para quem tinha vontade e cabeça para trabalhar, sem importar de onde vinha.
Em anos mais recentes que me tenho inteirado do que aconteceu entre 1960 e 1975 (data do início da 3ª República), não consigo deixar de pensar do gigantesco impacto, verdadeiramente global, daquele dia em que um homem (Marcelo Caetano), escolheu não ordenar a defesa de todos os Portugueses e, do que era até essa data, essa lindíssima e orgulhosa nação.
Hoje sei que o MFA poderia ter sido parado em algumas horas, pois esmagadora maioria das forças armadas não estavam do seu lado e aguardavam ordens (dai ter ocorrido a perseguição política aos militares que sabiam os detalhes do que estava a ocorrer e não concordavam – por exemplo, ao militar português mais condecorado de sempre, Marcelino da Mata
“A seguir ao 25 de Abril foi preso e o que se passou também foi convenientemente “esquecido”…
Parece que não existiu, mas eu fui preso e torturado que nem um cão. Foram a minha casa e não me encontraram. Foi a minha falecida mulher que me disse que lá tinham estado tropas à minha procura.
Então, dirigi-me à minha unidade, que era o regimento de Comandos e quando lá cheguei o oficial de dia disse-me que eu estava preso e ia ser apresentado ao Ralis. Eu perguntei-lhe desde quando é que um militar é preso numa unidade e levado para outra e ele respondeu-me que tinham sido ordens do Jaime Neves. Prenderam-me, meteram-me num jipe e levaram-me para o Ralis.
Eram cinco da tarde quando lá cheguei. Houve logo um furriel que me deu uma pancada nas costas e perguntou-me o que é que eu andava a organizar. Disse-lhe que não organizava nada. E ele insistiu, perguntando: “O senhor não quer ser presidente da Guiné-Bissau?” Eu disse-lhe que com o 12.º ano não posso ser presidente de um país, que os presidentes devem ser formados. Ele disse-me que o Nino está lá e só tem a 4.ª classe. Eu respondi-lhe: “Isso é o Nino. Eu não sou o Nino”.
Aí, mandaram-me encostar à parede e eu recusei-me, dizendo que um militar não bate num militar, que se queriam deviam participar de mim. Mas agarraram em mim e encostaram-me à parede. Foi o fim da minha vida! Levei tantas que só Deus sabe. Depois de desmaiar, atiraram-me com um balde de água em cima e continuaram. Nem quero falar mais disso…”
Em Guiné, segundo as palavras de Marcelino da Mata, a guerra estaria a menos de um ano do fim, com apenas um ponto a recapturar ao inimigo.
Voltando a Moçambique, lá, habitavam cerca de 3 milhões de portugueses, dos quais, 10% passariam a partir de 1974, a ser conhecidos como retornados. Os outros 2.7 milhões, sofreriam décadas de chacinas, perseguições políticas e de ódio às mãos dos senhores da guerra que receberam de mãos beijadas as chaves desse território, antes, maioritariamente em paz (a guerra colonial ocorria especialmente no interior, junto à fronteira com os outros países, onde estavam as bases dos guerrilheiros apoiados pela URSS).
O que aconteceu ao Portugal e a todos os seus territórios e povos de 1960, deveria ter sido um aviso para todo o mundo, do que o comunismo, quando apoiado por forças internacionais, e o que fracos e corruptos lideres das nações: destruição, decadência e miséria de milhões de pessoas, em curto espaço de tempo. Ao invés, vimos o expandir do socialismo, comunismo e mais recentemente, globalismo, a nações que antes avançavam.
Agradeço a J.L., o conhecimento destes tempos que tem partilhado.
A Portugal dos dias de hoje (e às suas antigas províncias), restará o penoso caminho da Venezuela, Polónia, Hungria e outros países que tiveram de criar anti-corpos ao socialismo e comunismo ao longo de décadas de sofrimento. Todos os partidos políticos portugueses que já tiveram deputados eleitos, têm fundamentos marxistas, leninistas ou com forte presença nas várias ordens maçónicas e “clubes bilderberg”.
Lembrem-se, a nossa constituição de 75 foi re-escrita por comunistas e indivíduos que, ao longo de décadas, pela força e manipulação ideológica, causaram a queda da 2ª República. Os mesmos indivíduos que, desde 1975, reuniram em si, nos seus filhos, família e amigos, poder imenso económico e político. O povo nem estorva aos seus objectivos, é simplesmente peão numa mesa de xadrez por eles desenhada e mantida em movimento.
Para conhecer um pouco mais sobre essa magnífica Moçambique anterior a 1974, recomendo a leitura deste post do blog Consciência Nacional, que transcrevo agora algumas passagens:
“Um grande território, mais de 780 000 km2, tanto como a França e a Alemanha Federal reunidas; com 4250 km de fronteira terrestre, tanzaniana, malawiana, zambiana, rodesiana – hoje do Zimbabwe -, sul-africana e suazi; e com uma costa de 2975 km sobre o Oceano Índico. A distância entre a sua capital política, Lourenço Marques, próximo da fronteira Sul, e a sua capital militar, Nampula, muito mais a Norte, percorria-se em cerca de duas horas em aviões a jacto, tanto como entre Lisboa e Paris ou Londres. E Nampula fica ainda a 450 km da fronteira setentrional – o rio Rovuma.
Na configuração moçambicana, distingue-se o extenso Norte, com o Niassa, Cabo Delgado, Moçambique e Zambézia; o Centro da Beira e de Vila Pery, verdadeiro coração geográfico, estendendo-se pelo amplo Saliente de Tete; e o Sul, mais estreito, conjunto de Gaza, Inhambane e Lourenço Marques. Cerca de 44% de zona litoral, abaixo dos 200 m de altitude, 43% de planaltos, entre os 200 e os 1000 m, e os restantes 13% de montanha
(…)
O MILAGRE ECONÓMICO MOÇAMBICANO
Em Moçambique, mantinha-se, ainda, o carácter dualista, tradicional nos territórios e países africanos, de uma economia de subsistência, em que cada família ou tribo produzia e trabalhava o necessário à satisfação dos seus consumos imediatos e mais prementes, e de uma economia de mercado, caracterizada pela produção e serviços comercializados. Mas, agia-se no sentido da modernização do sector de subsistência e promovia-se activamente o desenvolvimento do sector de mercado.
Em consequência, a posição relativa dos fluxos não monetários, na formação do Produto Interno Bruto, descia progressivamente, tendo sido, em 1963, de 40% e sendo, em 1970, de 25%.
A prodigalidade em recursos naturais e o esforço no sector do mercado estavam a conduzir a um desenvolvimento são e rápido, tendo a taxa média anual de crescimento do PIB sido, entre 1953 e 1963, de 3,7%, entre 1963 e 1967, de 4,2% e, até 1972, de 9,5%(…)
A ENERGIA. CABORA BASSA. A ELECTRIFICAÇÃO DE MOÇAMBIQUE
Tal desenvolvimento começava na base, na energia, sendo enormes as possibilidades hidro-eléctricas, significativo o carvão de Moatize – 350 000 toneladas extraídas em 1973 -, imensos os jazigos descobertos também de carvão do Vale do Zambeze, em partes coqueficáveis, e as reservas de gás natural no Buzi e no Pande. E não estava posta de parte a existência de petróleo e de urânio.Na produção hidroeléctrica, distinguia-se Cabora-Bassa, realização extraordinária, uma das maiores do Mundo, garantindo só por si 18 mil milhões de KWh anuais a preços extremamente baixos. O sistema de Cabora-Bassa, com as suas duas centrais, uma a Sul já operacional e uma outra a Norte prevista, num total de potência instalada e a instalar de 3000 MW, quase o dobro da de todo o Portugal Europeu da época(…)
AS COMUNICAÇÕES. UMA GRANDE REALIDADE, UM PROJECTO IMENSO
(…)
Os principais caminhos-de-ferro – o de Lourenço Marques ligado à República da África do Sul, o da Beira ligado à Rodésia e o de Nacala em ligação com o Malawi e a Zâmbia – serviam eficientemente Moçambique e o “interland” já considerado. A ligação de Nacala com as linhas ferroviárias do Malawi estava já operacional e negociava-se o seu prolongamento até ao “copperbelt” da Zâmbia, o que aliás teria de ter lugar perante a falência inevitável da exploração do caminho-de-fero “Tam-Zam”, de ligação da Zâmbia a Dar-es-Salaam. Muitos e vultuosos trabalhos de melhoramento das infra-estruturas ferroviárias e diligências para considerável aumento do parque de material circulante estavam em realização ou programados. O número de passageiros e a carga transportados, por via férrea, cresciam incessantemente.
Os portos de mar, além das suas óptimas condições naturais, estavam bem apetrechados, pelo menos os principais, como o de Lourenço Marques, com movimento superior ao de Lisboa e Leixões em conjunto, cerca de 15 milhões de toneladas em 1971, os da Beira, Inhambane e Quelimane, o de Nacala, talvez o de maiores potencialidades de toda a África, e o de Porto Amélia. Entre as obras portuárias em curso, distinguiam-se a construção, no porto de Lourenço Marques, em Ponta Dobela, de um terminal oceânico, “offshore”, para navios mineraleiros até 250 000 toneladas, o prolongamento, no Porto da Beira, do seu cais em 330 m (…)
Dedicatória:
A todos os militares que defenderam e ainda verdadeiramente defendem Portugal, e a todas as vitimas desde 1960, do comunismo, socialismo e globalismo do grandioso território que outrora foi conhecido como Portugal.
“A seguir ao 25 de Abril foi preso e o que se passou também foi convenientemente “esquecido”…
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